O karting é a modalidade onde são feitos os campeões do automobilismo. Há mais de 30 anos que quase todos os campeões de Fórmula 1 – pelo menos os maiores – vêm dessa que é a verdadeira disciplina de base, que nem as escolinhas do futebol. Foi nos karts que Ayrton Senna, Michael Schumacher, Fernando Alonso e Lewis Hamilton desenvolveram sua velocidade, suas habilidades e seu instinto de corrida.

Outros campeões da era moderna, como Damon Hill, que não fizeram o caminho mais duro do kart, mostraram sempre ter algo em falta na comparação com os grandes campeões: ou um pouco de indecisão, ou um pouco menos de velocidade, ou até a falta do instinto para correr na chuva – algo que Senna sempre falou ter desenvolvido nos karts. O tricampeão fazia questão de ir para o kartódromo de Interlagos, em S. Paulo, sempre que a chuva caía.

Caio Collet: o exemplo mais recente

Um cenário de crise veio caindo sobre o automobilismo brasileiro nos tempos modernos, mas podemos continuar contando com os karts para fazer nascer talentos. Será difícil chegar na F1? Talvez, mas para chegar ao topo é preciso primeiro desenvolver o talento, e isso não falta no Brasil. Caio Collet, jovem de 16 anos, é o exemplo mais recente: depois de “ganhar tudo” no karting nacional, foi descoberto pelo agente Nicolas Todt e agora está fazendo sucesso na F4 francesa.

E quanto aos eSports?

Um artigo recente de James Allen, jornalista inglês especializado em F1, aponta uma tendência recente: os eSports. Allen entrevistou Zak Brown, diretor da McLaren, que sugeriu que, devido à subida de custos, as corridas virtuais poderão substituir as reais no desenvolvimento de jovens pilotos. Mas será que os computadores já estão em condições de substituir o “feeling” que o piloto adquire naturalmente passando horas e horas sujeito às condições de um kart em uma pista?