O filme-documentário Senna, estreado em 2010, se assume até hoje como o documento final sobre a verdade da lenda de Ayrton Senna no automobilismo mundial e enquanto figura com um carisma que ia bem além do esporte. Nesse sentido, será justa a forma como Alain Prost foi apresentado nessa trama? Um artigo recente do jornalista britânico Graham Keiloh vem ajudar a repensar essa ideia.

O vilão

Toda história precisa de um vilão, um antagonista, o mau, e nesse sentido parece quase compreensível que Prost tenha assumido esse papel. Para a maioria dos brasileiros ele foi isso mesmo, especialmente depois do que aconteceu no GP do Japão de 1989, em que ele jogou seu carro sobre o de Senna e depois contou com o apoio de um presidente francês da FISA (antigo nome da FIA) para desclassificar o brasileiro e lhe retirar a vitória que tinha conseguido na pista.

Um dos melhores pilotos de todos os tempos

O francês é reconhecido por Keiloh como um dos melhores de todos os tempos. Os números e os fatos desmentem que ele fosse um piloto que só ganhava provas no gerenciamento do carro e jogando na defensiva; vejam a primeira metade dos anos 80. Ele esteve na luta pelo título em 10 ocasiões, mesmo se “só” conseguiu concretizar quatro delas. Poderia ter sido facilmente campeão várias vezes entre 1981 e 1983.

Além disso, veja a qualidade de seus colegas de equipe: Rosberg, Lauda, Senna, Mansell, Alesi. Só mesmo Senna conseguia ser mais rápido que Prost. Agora compare essa lista com M. Schumacher, por exemplo.

Figura sem carisma

É fato: Prost não tinha carisma. Sensaborão, até com uma figura física estranha (desde seu nariz até sua baixa estatura), ele nunca se comportou como uma “superstar” internacional. Ao contrário de Ayrton.

Ambos corriam para vencer e faziam o que fosse necessário – veja o que Senna faz a Prost em Portugal/88. Será justo ver no francês o vilão da história?